Eu, como boa escoteira que sempre fui, não posso ver ninguém em dificuldade que tenho logo que ajudar. Ontem, desci do ônibus e fui logo atravessar a avenida para pegar outro. Tinha que chegar logo em casa.Quando olhei pra frente, vi uma velhinha parada do lado de cá da avenida (logo abaixo do canteiro central) - e sua filha, que tb não é nada jovem, em cima do canteiro, tentando atravessar. Vi aquela cena e confesso, achei a mulher mto desnaturada, de deixar a pobre mãezinha assim, no meio da rua, à mercê dos motoristas loucos. Ela poderia ser atropelada, tadinha.
Corri e já fui logo perguntando se ela queria atravessar. Eis que o ônibus dela começou a arrancar do outro lado da rua. E a filha gritando: "Peçam pra ele parar, peçam pra ele parar" - e os carros descendo a rua frenéticos.
A velhinha não pensou duas vezes. Agarrou meu braço e desbravou o canteiro central com a coragem de Indiana Jones. A filha não se fez de rogada, na primeira oportunidade que teve, agarrou meu braço - achando que era o da véia - e saiu me puxando pro outro lado da rua.
Foi uma loucura, ela me puxando, eu puxando a véia e o povo todo olhando a cena.
Só sei que nessa brincadeira eu descobri que não quero chegar na "melhor idade" - o povo faz a gente de gato e sapato. Me senti o cobertor daquele menininho do Charlie Brown, sendo arrastada pela rua afora....
Cruz credo!!!
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